E tudo era possível, Ruy Belo (1933 – 1978)

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

– Ruy Belo –

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E haviam os dias em que me chamavas paisagem
E era só um sopro que ondulava a saia
Curvas sinuosas da renda cortina que insinuava o quarto
Por onde brincávamos de ser somente nós dois.

– fotopoema, penélope martins –