lá vai meu menino

entre cascalhos a marulhar choro tímido.

sofro por ele essa dor de seguir ferido,

as asas cortadas sem alcançar

dois palmos do chão.

olha lá, ele se magoa nas pedras

olha como lhe brota visgo de sangue

olha em mim como ele me faz morrer.

ai, se ele  voltasse a me beijar o umbigo,

ai, se ele viesse morar aqui dentro

e se nós dois pudéssemos esquecer do tempo

em que o tempo era de nós roubado.

não cabe a promessa nesse jogo.no amor, como na guerra, a estratégia é morrer. revirar olhos gemendo sem pudores. entorpecidos se estrangulam, o beijo. expandem e se engolem. há uma janela violada, pintura crua. veneziana penetrada pelo odor das flores que só dançam para a lua. quem de paixão se esconde, da vida não merece muito. ácido o sal que brota deste rio que cintila a ponta dos dedos. as pernas entrelaçadas a ditar poemas.

 

– Gustave Courbet –