preguiça. tudo ao teu redor era preguiça. preguiça de te tomar. preguiça de te ver partir.

Imagem

Kiki de Montparnasse, fotografia de Man Ray

Anúncios

sem título 56

A loucura é tão inexpugnável o quanto lhe depositamos de

delírio e da clareza ante o preconceito renascer insana.

Existem loucuras na introspecção doutras loucuras!

As pessoas imaginam a imprópria loucura doutras loucuras

dentro da loucura movediça, mas a loucura também pensa

das pessoas! Se estiver do seu lado esquerdo adormeço, do

lado direito acordo, de trás desmaio, de frente salto, por

cima ilumina-me, por baixo obscura-me, no seu ventre

musical, sou a sua clave!

É isso a loucura? Uma mera quimérica diferença em tropel?

Então deixem-me lá continuar louco, um louco

inabalavelmente feliz e lúcido. Lá Lá Lá… Hurra Hurra Hurra…

* Filipe Marinheiro

poema selecionado do livro “Silêncios”,  Chiado Editora.

Mais poesia de Filipe Marinheiro em
Filipe Marinheiro nasceu em Coimbra, 30 de Julho de 1982. É natural e reside em Portugal Cidade de Aveiro. Poeta. Chegou em Dezembro de 2013 às livrarias o novo livro de Filipe Marinheiro intitulado “Silêncios” pela Chiado Editora. A obra reúne cerca de 270 poemas inéditos em 378 páginas. Em desdobramentos melancólicos entre poesia em prosa e verso, a realidade poética é uma densa complexificação que devora o universo e é, ao mesmo tempo, devorada por ele. A escrita desta segunda obra do jovem poeta é pautada pela construção e desconstrução da linguagem, resultando numa poesia de transfiguração e transmutação, caracterizando o sujeito poético como plural, obscuro e enigmático. Léxicos múltiplos, caminhos diversos para dar a conhecer os diferentes acontecimentos da sensibilização, a fim de exprimir o que mais puro existe na existência. Em “Silêncios”, a rebeldia e fragmentação da linguagem quase que hipnotiza a atmosfera envolvente, desenvolvendo uma sobre-realidade alquímica e mística, purificando a própria palavra e o vazio absoluto. A força motriz da sua obra concentra-se nesse excesso do sensível, duplamente graça e maldição. Se por um lado, confere acesso a mundos mágicos e ao encanto dos sentidos pela sensibilidade e imaginação, por outro lado, exponencia o sofrimento, a angústia, a dor, a revolta causada pela violência da opacidade e agressividade do mundo, realidade insuportável que estremece o seu universo poético. Poesia de deambulação, vigília inquieta, procura ofegante de espaço vital, grito infinito da fragilidade extrema do ser humano nesta subtil inércia das forças. O leitor é arrastado por um turbilhão de sentidos, em desvios múltiplos, num excesso imagético — despido e desamparado encontrará a verdade do ser. Apesar de uma poesia marcadamente desassossegada e melancólica, a tónica da mensagem de Filipe Marinheiro é esperança de resolução do mundo pela suavidade, beleza e pelo amor. Para que se possa melhor conhecer este autor, o único caminho é lê-lo, atravessar a obra para encontrar os seus próprios “Silêncios”. É possível encontrar uma forte influência dos poetas: Al Berto, Herberto Helder, Artur Rimbaud, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade, António Ramos Rosa, Lautréamont, Paul Verlaine, Stéphane Mallarmé, Charles Baudelaire, Paul Bowles, Antonio Gamoneda, entre outros…