conversa mole, rapaz!

conversa mole, rapaz. tudo em ti é conversa mole (e braços mornos que esquentam a fala mansa), e na minha concepção de mulher honesta, conversa mole é perda de tempo, posso não, nem poderia entrar nessa fria, rapaz, conversa mole demais. rapaz, essa conversa mole cutuca a pergunta: se acaso o teu passo fosse o meu passo, seria um bom compasso para nós? desenrola a língua, conversa mole é a pior sina,  era isso que eu temia, rapaz! conversa mole faz moça derretida, lero-lero em maria-vai-com-as-outras, pobrezinha influenciável, enrolável dos pés à corda da cintura, daquela bonita que amansa ouvido com poesia e vai: facinho, facinho.

Os mochos, de Baudelaire

Sob teixos negros onde habitam,
Os mochos estão em fileiras,
Tal como deusas estrangeiras,
Dardando o olhar rubro. Meditam.

Imóveis eles ficarão,
Até o minuto agonizante,
Em que vencendo o sol recurvo,
finalmente as trevas virão.

Sua atitude ao sábio ensina
Que se deve fugir à sina
Da mudança que nos condena.

O homem que tudo faz mudar
Leva por tudo e sempre a pena
De ter mudado de lugar*.

 

* “Tenho dito frequentemente que toda tristeza dos homens vem de uma só coisa, não saber ficar sossegado no quarto”.

Baudelaire

(citação em nota de rodapé em 2ª edição de “Flores do Mal”, pela Difusão Européia do Livro, São Paulo: 1964.)