em branco

o bilhete que escrevi para dizer meu adeus está em branco.
vai nele um poço de nada a dizer e uma gota de olhar que mancha o papel.
queria ser mais forte do que isso. queria ser surpreendente.
mas sou comum demais, querida. nunca saberia como dizer adeus.

tempos de penélope

– Quanto tempo ainda tenho?
– O tempo que você quiser.
– Mas se eu for agora, você pode esperar mais um pouco?
– Sim, posso esperar… Posso começar tudo de novo.
– Eu que já esperei demais e agora tenho medo de deixar ir.
– Tenha o alento do descontrole. Descontrole-se. Deixe ir.
– Mas…
– Sem mas, sem considerações, apenas deixe que seja.
– É tão grandioso isso.
– Então sinta.
– Eu só preciso desfazer, desalinhar, desfiar…
– Isso querida, desfie todo seu ser.