Delicadeza

toda a delicadeza, todas as nuances…

 

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diálogos que tratam nosso medo de amar

– Investiguei em mim a razão dos nossos desencontros…
– E?
– Tenho medo.
– Medo?
– Sim, tenho medo e tomei consciência disso hoje.
– Medo de amar demais e jogar todo o resto pro alto?
– Isso.
– Mas você me disse que era só disso que não poderíamos temer…
– Sim, mas eu tomei consciência do meu medo, entende?
– Sim…
– E resolvi enfrentá-lo…
– E…
– Resolvi viabilizar o encontro e…
– Diga…
– Estou fazendo uma confissão.
– E isto torna tudo ainda mais forte e perigoso porque na franqueza o amor aquece intenso, rubro…
– Eu sei, adiei até minha franqueza para não enfrentar este sentimento.
– Quero que você saiba que continuarei esperando.
– Até quando?
– O quanto for necessário, anos…
– Acho que já não precisarei mais de tanto tempo…

Saudade, de Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.