poema de Andréia Horta

“Não é o que você não faz
Não é o que você não diz
É o fato de eu não ver nos seus olhos.”

 

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caixa com fita

Recebi uma caixa de tamanho exato, amarrada com fita de cetim. Um presente assim: caixa dourada com doces arabescos em baixo relevo, que por si só surpreende, e um laço alinhado em vermelho cereja, de cetim robusco e encorpado que clama por ser vestido.

Sem remetente a ser agradecido. Apenas aquela dádiva a reluzir beleza e perfeição.

Temi abri-lo de tão impecável, mas tantas possibilidades poderiam acontecer dali que não conseguia afastar a voz que zumbia nos meus ouvidos:
– Sim, abra-o! Com cuidado, sem pressa, mas abra a caixa e veja o que está por dentro dela.

Zelosa em meus devaneios, desfiz o laço, enrolei a fita vermelha e ergui a tampa da caixa infiltrando meus olhos para seu interior. O papel de seda num rosa antigo fez com que eu lembrasse daquela linda canção de cores e nomes. Num outro tom de rosa ainda mais sublime, pequenos laços enfeitavam o embrulho.

Um odor de rosas brancas se deixou perceber. Um cartão branco em envelope, acusava letras desenhadas em tinta negra.

Fechei a caixa e guardei para depois. Novamente refiz o laço vermelho para poder recomeçar.
Toda aquela trajetória já tinha me presenteado o bastante.