Revelação

Vista seus ombros, meu amor; cubra com uma blusa os ossos que saltam pontiagudos despertando uma onda de saliva na minha boca. Eu quero tudo em você e são os tais montes esculpidos, para contorno do delírio no colo, a geografia que me convida do começo ao fim.

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bom disfarce

Quero assim mesmo, não estou nem ligando que é mentira sua porque eu quero assim mesmo. Cerque-me com seus braços, beije descontroladamente, passe a língua… Venha logo, ninguém vai perceber, você tem um bom disfarce, você é bom nisso – nós dois sabemos – e até eu mesma já sei esconder o que sinto por você.

sim

perguntar para mim é fundamental.
sem chorar não escrevo cartas de amor.
quanto mais dor, melhor a cura.
há uma brutal melancolia atravessada na garganta.
seus olhos já não podem ver,
e não importa o quanto eu faça
nem quantas horas eu me atire ao devaneio,
sigo o brilho do sol no pó de giz
persigo ímpar tragédia
ancorada ao corpo
– a tristeza serve para consolo –
as letras riscadas são simpatias para desfazer a cica
que cala a língua.

pé do ouvido

– Queria que isso tudo fosse tão importante pra você como está sendo pra mim… Sinto um vazio perambulando seus olhos…
– Como assim?
– Sei lá, vejo que você só se concentra nas coisas óbvias que não precisam de nenhum tipo de concentração.
– Nossa, você é mesmo confusa…
– Não sou confusa, não mesmo. Você é que é limitado.
– Agora você foi cruel.
– Crueldade é prestar-se a esse papel.
– Para com isso.
– Com o que?
– Discutir de novo, o que eu fiz para você? Tá tão nervosa.
– Eu não estou nervosa coisa nenhuma. Só quero conversar com você e não vejo nenhum tipo de resposta para nenhuma das minhas angústias! Vejo uma pessoa amorfa que nem nota minha existência depois de 40 minutos de amor! Amor? Você sabe o que é amar alguém?(riso frio)
– Vem cá…
– Não toca em mim! Não toca em mim, eu disse.
– Eu sou mesmo um tolo, você tem razão. Fico distraído… Vem cá…
E ela se deixa abraçar.
– Então você percebe?
– Você merece mais atenção…
– (…)
– Venha, vou preparar algo pra você comer e nós conversaremos a tarde inteira sobre nós dois.
– A tarde? Não dá, preciso trabalhar e tenho um almoço com minha amiga.
– Você é mesmo confusa… Não tava me cobrando atenção?
– De novo? Você não entende que quero algo espontâneo? Puxa vida… você me cansa.
– Deixa pra lá.
– Melhor assim. Custa você reconhecer que me tira do sério? Hein?
– Mas eu amo mesmo você.
– E eu não? Não vê tudo que eu… Chega! Vou sair.
– Não vai me dar um beijo?
– (…) (com expressão de indignada).
E ela sai sem beijo.